Enquanto Criolo afirma que não existe amor em SP, quem visita o Rio de Janeiro exalta o quanto essa cidade deixa qualquer um mais envolvido pelos sentimentos. Gosto de dizer que esse é o poder da carioquice. Você mal chega na cidade e bate aquela sensação acolhedora como se estivesse na sua casa. O carisma de todos ao redor é contagiante, do taxista até o vendedor de biscoito Globo (sim, biscoito). A cada esquina que você para, pessoas com personalidades incríveis e apaixonantes acabam compartilhando um pouco de seus mundos contigo.
Você acha graça do sotaque, se perde um pouco na quantidade de gírias que todos falam. Vê a galera fazendo figa pra fazer sol no dia seguinte e todo mundo conseguir pegar uma praiana. Se deixa levar por pequenas tradições cariocas sem saber o significado, como aplaudir o pôr do sol na pedra do Arpoador. Acha incrível como todo mundo ali parece ser mais bronzeado que você, até mesmo quem afirma não ir à praia há tempos. Para num barzinho e vê amigos compartilhando seus problemas com um sorriso ácido no rosto e fazendo piada de suas desgraças. Como pode esse pessoal não perder o rebolado nem em meio aos problemas cotidianos?
Todo mundo parece ter intimidade com qualquer pessoa e você acha isso sensacional. Até o garçom é chamado deforma diferente! Parece que todo mundo é irmão, parente ou algo do tipo.
“Ô meu bom, traz aquele churrasquinho no capricho e desce gelo aí pra nós!”
Você entra no ritual de “lapear” nos fins de semana, já que isso é compromisso “de lei” com os amigos. Vê que todo mundo se chama de “cara”, independente do sexo e fica meio confuso, mas acha até legal. Na volta pra casa, mesmo quando você fica preso no trânsito, é possível ver alguma paisagem de arrancar suspiros pela janela. E se não tiver nenhuma vista boa pros lados, é só olhar um pouco pro alto em qualquer canto que esteja que esteja você encontra o Cristo Redentor te olhando de braços tão abertos quanto a cidade. Todo mundo vai trabalhar a semana toda esperando ansiosamente pela sexta-feira. E ocasionalmente o pessoal anima de celebrar carnaval fora de época (!!!), o que te faz perder um pouco a noção de que fevereiro já pode ter passado.
Se o Rio de Janeiro é apaixonante, os cariocas são igualmente. Você começa uma conversa tímida com qualquer um deles até na fila do supermercado e, quando se dá conta, já está “marcando de fazer alguma coisa qualquer dia” com eles. Tanta carioquice no sangue é compartilhada com tamanho fervor que pode ser considerada transmissível. E acredite: quem já se deixou levar por esse espírito tão marrento quanto cativante tem dentro de si a gratidão em peso até hoje. Porque o poder da carioquice é esse: Cativar, somar, semear o amor e a alegria. Mostrar o quanto a vida pode ser gostosa de se viver mesmo perante a situações nada boas. Fazer a musicalidade caótica da vida se transformar em poesia e bossa nova. Rir por estar, ser ou se sentir pertencente em alma ao Rio de Janeiro, a cidade que retribui com tanto amor e boas vibrações todo o carinho que sentimos por ela. E cá entre nós, não existe nada melhor do que essa sensação.
Feliz aniversário ao meu, ao seu, ao nosso Rio de Janeiro. E parabéns a todos que tem o espírito da carioquice dentro de si!
Foto: Gisele Lima (sem filtro, até porque desde quando o Rio precisa de algum efeito pra ficar lindo? ♥)