AMAL ALAMUDDIN: MRS. DEFENSORA DOS DIREITOS HUMANOS

Amal Ramzi Alamuddin, nascida em Beirute, Líbano, em plena guerra civil, deixou o país com seus pais e irmãos e se instalou na Inglaterra. Pertence a uma família de drusos, descendentes da religião islâmica, porém não considerados, pelos próprios, como mulçumanos. Formada pela Universidade de Oxford e mestre pela Escola de Direito de Nova York em direitos humanos, internacional, penal e extradição, Amal atua em um dos escritórios de advocacia mais importante da Inglaterra e já defendeu grandes casos como o de Julian Assange (WikiLeaks) e da ministra da Ucrânia, Yulia Tymoshenko.

Não acaba por ai não. Ela também é ativista e autora, fala três línguas fluentes (árabe, inglês e francês), é conselheira do ex-secretário geral das nações unidas, Kofi Annan, na Síria e está na lista de advogadas mais bonitas do país. Uma mulher faca na bota que representa muito bem a força feminina em um meio profissional extremamente misógino. Mesmo mostrando ser um mulher de perfil incrível e carreira brilhante, é citada em matérias de revista e afins unicamente como “a mulher de George Clooney”. Como assim?

O casamento de Amal e George aconteceu ano passado em Veneza, Itália e foi sublime e encantador como todas as revistas, tabloides e sites mostraram. O casal aparenta estar feliz e extremamente apaixonado um pelo outro. Não me entenda mal, mas existem vários tipos de contribuições que podemos deixar para a humanidade e a parcela que cabe a essa mulher não está sendo devidamente celebrada, pois o que importa para a mídia é o fato dela ser casada com um galã de cinema e quais estilistas e grifes ela usa.

Na cerimônia de entrega do Golden Globe Awards 2015 as comediantes Amy Poehler a Tina Fey estavam apresentando o prêmio, com um texto muito bem humorado e afiado. Em certo ponto do discurso, elas mostraram, intencionalmente ou não, o quão ridículo soa prestar homenagem para, de formal geral (apesar terem focado apenas no marido de Amal), uma pessoa pelos seus “feitos” no cinema, interpretando advogados, gênios da física, ativista e libertários, quando no instante presente um deles na verdade está bem ali, entre eles, aplaudindo.

(George Clooney casou esse ano com Amal Alamuddin. Amal é uma advogada de direitos humanos que trabalhou no caso Enron com Kofi Annan e foi selecionada como integrante da comissão de três pessoas sobre a investigação de crimes de guerra na faixa de gaza, nas Nações Unidas. Então nessa noite, seu marido está recebendo um prêmio sobre “suas realizações em vida”). Todos riram é claro, mas a marca desse tapa na cara entrou pra história.

Hoje a libanesa naturalizada inglesa, Amal Clooney, completa trinta e cinco anos e no auge do seu porte e elegância, não parece estar inclinada a ocupar o espaço que a mídia insiste em colocá-la e continua mostrando que há mais a se fazer do que “desfilar” em um chanel haute couture. (E ela também pode fazer isso perfeitamente)

Amal assumiu o caso da Armênia contra Dogu Perinçek (líder dos trabalhadores da Turquia), no qual Dogu é acusado de cometer genocídio contra o povo armênio, em 1915. Atualmente abordada por um jornalista do Telegraph em pleno tribunal, direcionando-lhe a pergunta “O que você está usando?” respondeu polidamente “Estou usando Ede & Ravenscroft” marca que confecciona as becas dos juízes e advogados.

Não parece que o prêmio sobre realizações em vida foi entregue para Mr. Clooney por engano? Há quem diga que sim.